quarta-feira, 26 de agosto de 2009

voam
finas partículas vermelhas
queimadas com o tempo
á luz do sol
ao longo do caminho seco
que outrora não me pertenceu
olho pra meus pés descalços
já calejados
envoltos em areia quente
ás vezes em poça
ou água corrente
me deito
cabeça ao chão
olhar rente ao horizonte
sou um homem alvejado
sou criança brincante
e todos o que lá pisaram
suas pegadas apagadas
um caminho que insiste em existir
e nunca encontra um fim

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

não é por sentido
ou qual graça teria
só caminhar
sem ter de equilibrar
os bichos e enfeites de vidro
jogados nas mãos
só andar pra frente
sem o gingado
jogando pros lados
e manter tudo depois do tropeço
não quero chegar
pra ter de aplaudir
quero é andar








segunda-feira, 3 de agosto de 2009



um choro sentido
e como luz fluorescente
ilumina minha mente!
Começo á entender,
o burburinho
das várias bocas
sem olhos e nem sentido,
e que sujam!
não há vida
nas palavras desconexas
desta língua inexistente
e onipresente,
ritmada,
é o alfabeto da máquina,
do dois mais dois que são quatro,
da camisa apertada
sendo puxada pra baixo á força
tentando moldar o corpo
que quer se mexer
alongar
expandir
contrair!
das palavras duras e mortas,
e das maquiadas, bonitas,
mas organizadas,
o anti devir,
de tudo aquilo que não
suporta a própria loucura





quarta-feira, 17 de junho de 2009

Acham que vão atar meus pés e mãos
Não vão
Não me seguro á mim, quero minhas extensões
Pretensões
de alcançar muito além
Não nasci para mim
Gosto dos meus membros-máquinas
que fazem alcançar o outro
minhas máquinas de ouvir e falar e olhar
escrever
postar além de mim
pra que eu possa me definir pelo que está fora, agora
e ainda assim não ser eu, completo
posto que estaria morto
absoluto
Minhas mãos correntes vão é embaralhar tudo

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sou mentira
virtual
uma teoria
não colocada em prática
tela em branco
sem conflito
ou falta de cor
tentativa
vão, em vão
mera imagem
da memória
ou criação
sem definição
me falta voz
sala branca vazia
que eu mesmo abandono
uníssono
de um tom só
algo que não causa gozo
e nem dor
ausente
o silêncio
que vem depois de tudo que acaba
e não há porque se explicar

segunda-feira, 25 de maio de 2009

sutil, me rasga o peito
o que é leve é o que calmamente me abusa
o silêncio com um dedo pontudo entre as falas
o sorriso afiado corta meu rosto
o que é opressor é quieto
com seus largos quadris me joga pra fora
não consigo diálogo pois minha mandíbula trava, tensa
fico surpreso com minha insensatez
em não perceber que uma massa escura estagnada e ritmada
passa e me envolve
sim ela envolve
pegajosa
e é com olhos doces
e sua constante melodia
que vai me amarrando
sufocando
estancando meu sangue que ela não quer que corra
já me encontro marcado
se ela me deixa
já não sei o que fazer com o ar que entra
basta olhar meus pulsos
com a pele marcada
pra provar que ela existe
basta que se puxe um fio do tecido finamente trançado

domingo, 24 de maio de 2009

dentro vira cacto gigante
pequenas pontadas
um gancho
me pega pela nuca
levanta meus pés deseperados por chão
massa mal digerida que provoca lágrima
e uma pressão na boca contida
algo segurou minha cabeça contra a parede
e me olhou nos olhos friamente
um pé inteiro na engrenagem e ela quase estoura
não há graça
na partitura rabiscada com força